Abuso e violência sexual marital. Você sabe o que é?

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É quando um dos parceiros toca ou ameaça tocar no corpo da outra pessoa ou a força a qualquer tipo de ato sexual sem o seu consentimento. Quando a mulher é obrigada a ceder, quer seja por pressão psicológica ou por violência física, à imposição do parceiro para o sexo. Essa ação é considerada, por LEI, abuso e violência sexual marital.

O pior de tudo é que esse tipo de violência ainda é muito comum nos dias de hoje. Recentemente, por exemplo, realizei uma enquete entre as minhas seguidoras do Instagram perguntando “Mulheres, ainda nos dias atuais, mesmo sem vontade, transam para agradar o parceiro?”. Resultado: 58% das mulheres responderam SIM. Isso acontece muitas vezes porque a mulher não consegue dizer Não,  por se sentir constrangida, ou ainda por se sentir  pressionada sexualmente e isso pode indicar abuso, esses são casos muito  mais comuns do que imaginamos.

Qual a origem do abuso e violência sexual?

A maior desigualdade entre o masculino e feminino, em qualquer cultura, pode se caracterizar quando um homem se sente no direito de se utilizar do corpo da mulher como propriedade privada na satisfação dos seus instintos, passando a mão no seu corpo sem o seu consentimento ou obrigando-lhe a fazer sexo sem a sua vontade.

Como já disse, isso acontece e é muito comum nas relações conjugais. Uma sociedade patriarcal e machista ainda tem reflexo de proteção aos homens que praticam a violência e o abuso sexual no casamento. Algumas mulheres, muitas vezes, se submetem a práticas sexuais das quais não desejam. Isso ainda é muito comum nos dias atuais.

Infelizmente, ainda existe uma banalização dos processos culturais, em que esse ato é percebido pela mulher como uma obrigação de conceder o seu corpo para suprir os prazeres do homem\marido. Essa atitude é reforçada pelo  Judicial. Quando se tratam de casos de abuso dentro do casamento, a proteção à mulher ainda é mais negligenciada pela Justiça.

Todo esse processo histórico, jurídico e cultural de submissão  leva essas mulheres  a assumirem uma posição de passividade, silenciando o seu constrangimento de ter que agradar e satisfazer o desejo masculino. A passividade feminina foi passada na construção cultural de mãe para filha e isso respinga até os dias atuais.

No inconsciente coletivo feminino e masculino, ainda está impregnada uma visão ativa e dominadora do homem frente à mulher na atuação sexual. Acredita-se, “verdadeiramente”, que esse é um dever conjugal, ditado por uma visão conservadora, que estabelece o comportamento feminino relacionado à submissão. A mulher, muitas vezes, submete-se aos desejos masculinos pelo medo de, não atendendo ao homem\marido, este vir a se interessar por outras mulheres, tendo o homem, ainda, o comando da atuação sexual.

Abuso e violência sexual marital. Você sabe o que é?

Violência sexual e relacionamentos abusivos

Na minha experiência como sexóloga, vejo que mulheres, muitas vezes até bem sucedidas, independentes financeira e profissionalmente, vivem nos espaços privados a violência física e/ou o abuso sexual cometido pelo parceiro íntimo ao longo da vida. Elas seguem incomodadas, porém conformadas.

O abuso e a violência sexual cometidos pelo parceiro contra a mulher nunca vêm isolados de outras agressões. Esses relacionamentos abusivos vêm sempre acompanhados de agressões psicológicas com desqualificação e humilhação da mulher, que se sente afetada na sua autoestima, o que dificulta ainda mais a saída do relacionamento.

As mulheres frequentemente relatam ter ainda mais dificuldade em lidar com o abuso e a humilhação psicológica do que mesmo com o abuso sexual. Nesse entrelaçamento de ações abusivas, o homem vai construindo espaço para a obtenção cada vez mais abrangente do seu poder frente a essa mulher-invisível que não consegue enxergar a sua força e o seu poder.

Atenção, mulheres!

Um NÃO deve ser respeitado! Se o homem insiste e viola o seu desejo, ele está cometendo abuso sexual.

Tocou sem que você deseje, não se constranja, não tenha vergonha, não se sinta culpada. É importante aprender a dar limite aquilo que não desejamos, que nos faz mal, aquilo que não nos agrada. O sexo deve ser praticado quando o desejo é recíproco, quando as pessoas envolvidas se autorizam ao jogo sexual.

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